
“Entre aspas”
Desde sempre parece que ele fora proposto a pássaro.Mas não tinha preparatórios de uma árvore Pra merecer no seu corpo ternuras de gorjeios.Ninguém de nós, na verdade, tinha força de fonte. Ninguém era início de nada. A gente pintava nas pedras a voz. E o que dava santidade às nossas palavras era a canção do ver! Trabalho nobre aliás mas sem explicação Tal como costurar sem agulha e sem pano. Na verdade na verdade Os passarinhos que botavam primavera nas palavras.
Manoel de Barros - Poemas rupestres
Imagem:Grace O’ Connor, Autumn,


